O cientista político e diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, afirmou que todas as tendências apontam para um segundo turno entre PT e Bolsonaro; Coimbra diz que a mídia não demonstra ser determinante neste pleito como em outros do passado e diz que se ela fosse determinante, Bolsonaro não estaria bem colocado nas pesquisas; ele salienta: “a população vem fazendo suas escolhas ignorando o que a grande mídia tem a dizer sobre a eleição e os candidatos, e é por isso que estamos neste ponto”

14 DE AGOSTO DE 2018 ÀS 07:09 // INSCREVA-SE NA TV 247 

247 – O cientista político e diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, afirmou que todas as tendências apontam para um segundo turno entre PT e Bolsonaro. Coimbra diz que a mídia não demonstra ser determinante neste pleito como em outros do passado e diz que se ela fosse determinante, Bolsonaro não estaria bem colocado nas pesquisas. Ele salienta: “a população vem fazendo suas escolhas ignorando o que a grande mídia tem a dizer sobre a eleição e os candidatos, e é por isso que estamos neste ponto”.

O Jornal GGN entrevistou Marcos Coimbra e o cientista político detalhou sua percepção acerca do cenário eleitoral. Sobre o segundo turno, ele diz: “tem exatamente um ano que escrevi sobre esse assunto, em agosto de 2017, e conclui da mesma maneira que hoje: com Lula, PT tinha candidatura para ganhar no primeiro turno, mas, mesmo sem ele, é favorito para disputar segundo turno contra um adversário de direita. E este adversário seria Bolsonaro. Há 1 ano eu o considerava o único candidato de direita com vitalidade para chegar ao segundo turno. De um ano para cá, muita pouca coisa mudou. Não creio que seja um resultado surpreendente. É o resultado mais previsível, na minha opinião, há mais de 1 ano.”

Já sobre a possibilidade de Alckmin desbancar Bolsonaro como opção em um segundo turno com o PT, ele afirma: “o Bolsonaro não precisou de nenhuma mídia desse tipo para chegar onde chegou. Assim como a candidatura do PT também não precisou, digamos assim, da mídia favorável em momento algum. Os 2 candidatos que lideram as pesquisas com 50% e 60% das intenções de votos [somados] foram sistematicamente ignorados e, cada um a seu modo, hostilizados pela grande imprensa. Não me parece que essa manutenção da desiguladade de tratamento de mídia, que agora vai se acentuar com a participação da chapa de Alckmin com o Centrão, vai mudar muito o quadro. A população vem fazendo suas escolhas ignorando o que a grande mídia tem a dizer sobre a eleição e os candidatos, e é por isso que estamos neste ponto. Ambos os candidatos são sistematicamente criticados. Eu não tenho nenhuma simpatia por Bolsonaro, mas reconheço que ele também é alvo de tratamento muito desfavorável da grande imprensa.

(…)

Por que Bolsonaro está bem arraigado em minha opinião? Porque ele é exatamente o posto de Alckmin. Ele tem nível de conhecimento menor que Alckmin, mas entre quem o conhece, a imagem é melhor do que a do Alckmin. É um sujeito determinado, que tem opiniões e não as esconde. Consegue expressar os sentimentos de um pedaço do eleitorado, coisas que Alckmin perdeu. E quanto mais ele [Alckmin] vai para a direita, mais ele se afasta do eleitorado social-democrata que, no passado, foi muito importante para o PSDB. Quanto mais ele tenta ocupar o espaço de Bolsonaro, mais ele deixa órfão o eleitorado social-democrata que, digamos, não é petista, mas também não é de ultra-direita. No campo da ultra-direita, Bolsonaro é muito mais legítimo que Alckmin ou outros nomes.”

Brasil 247